Exercícios e obesidade: tudo o que você precisa saber
Se é consenso que fazer exercícios físicos é essencial para a saúde, quem tem obesidade se beneficia ainda mais deles.
Dor e rigidez nas articulações, acompanhadas de inchaço e diminuição da mobilidade. Quem possui osteoartrite, popularmente conhecida como artrose, convive com esses sintomas diariamente. Movimentos simples do dia a dia, como caminhar, subir escadas e levantar-se de uma cadeira após um tempo sentado, tornam-se um sofrimento¹.
Publicado em: 24 de fevereiro
A osteoartrite é a forma mais comum de artrite e faz parte da
categoria de reumatismos, um conjunto de diferentes doenças do
aparelho locomotor. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), mais
de 500 milhões de pessoas em todo o mundo vivem com osteoartrite,
sendo 73% delas com idade acima de 55 anos².
Apesar de ainda ser associada ao avançar da idade, a condição não afeta apenas idosos: segundo um estudo publicado em 2023 na revista científica The Lancet Rheumatology, 15% da população mundial com mais de 30 anos sofrem com o problema³.
Em 2050, a estimativa do estudo é a de que a doença afete 1 bilhão de pessoas. Um dos fatores que têm contribuído para o aumento no número de casos é a relação entre a osteoartrite e a obesidade. Quem está com excesso de peso não só tem mais risco de ter osteoartrite, como de apresentar a sua forma mais grave¹-³.
O que causa osteoartrite e qual a relação com a obesidade?
A osteoartrite é um desgaste da cartilagem, uma espécie de tecido emborrachado que reveste as articulações e amortece os impactos dos movimentos. Sem essa devida proteção, os ossos entram em atrito e se deterioram, o que acaba causando inflamação e dores. A doença afeta principalmente as articulações que suportam peso, como joelhos e quadris¹.
A obesidade é o fator de risco mais importante para a incidência e progressão da osteoartrite. Acreditava-se que a principal causa da doença era a sobrecarga das articulações devido ao excesso de peso, o que leva à destruição da cartilagem entre os ossos⁴.
No entanto, com o aumento de casos em outras articulações, como a das mãos, verificou-se que a influência da obesidade no desenvolvimento da osteoartrite vai além da sobrecarga mecânica⁵-⁶.
O tecido adiposo, aquele que armazena a gordura, produz substâncias que induzem um estado de inflamação no organismo. A inflamação e a gordura excedente também podem levar a um descontrole e ao mau funcionamento de hormônios, como a insulina (responsável por transportar o açúcar do sangue para as células) e a leptina (que controla a sensação de saciedade)⁴-⁵-⁶-⁷.
Em desequilíbrio no organismo, a insulina e a leptina assumem características inflamatórias e agem na cartilagem das articulações, desencadeando o processo de inflamação e, consequentemente, a sua degeneração⁴-⁵-⁶-⁷.
As mulheres são mais afetadas pela osteoartrite do que os homens e representam 61% dos pacientes. Isso porque a redução do hormônio feminino estrogênio após a menopausa favorece uma maior degeneração da cartilagem³-⁸.
Quais os tipos mais comuns de osteoartrite?
Você já deve ter ouvido falar de pessoas que sofrem com "bicos-de-papagaio" e joanetes. Esses problemas são, muitas vezes, decorrentes de osteoartrite. Conheça os tipos mais comuns da doença:
Mãos: ocorrem alterações nas juntas dos dedos, com a formação
de nódulos, geralmente dolorosos com pancadas mínimas. As dores são
mais comuns pela manhã, ao acordar. Podem ocorrer inchaço e
deformidades nos dedos;
Coluna: há o crescimento ósseo em torno de uma articulação (chamado de osteófitos), o que é popularmente conhecido como "bico-de-papagaio" São mais comuns nas regiões cervical (pescoço) e lombar;
Joelhos e quadril: a osteoartrite de joelho é muito comum e
causa dor, estalos, deformidades, inchaço e dificuldade de locomoção.
No quadril, a dor pode irradiar para a parte interna da coxa e para a
virilha.
Nos casos mais graves, pode ser necessária a
substituição cirúrgica da articulação do quadril por uma prótese.
Como é feito o diagnóstico e o tratamento da osteoartrite?
O diagnóstico da osteoartrite é feito por avaliação clínica e exames de imagem, como a radiografia, tomografia ou ressonância. Se confirmada, serão definidas as medidas terapêuticas necessárias para aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida do paciente, uma vez que a osteoartrite é uma doença crônica¹-⁶-⁹.
O tratamento varia, mas pode envolver medicamentos para a dor, fisioterapia, acupuntura e fortalecimento da musculatura. Também podem ser necessárias infiltrações intra-articulares (quando são aplicados medicamentos, via injeção, no local afetado) e cirurgias¹-⁶-⁹.
Pelo fato de a obesidade ser um fator de risco, o tratamento da osteoartrite também envolve redução do excesso de peso por meio de mudança de hábitos, como alimentação balanceada e prática frequente de exercícios físicos¹-⁶-⁹.
Por isso, é importante contar com o apoio de uma equipe multidisciplinar de profissionais qualificados, composta por médico, psicólogo e/ou psiquiatra, nutricionista e profissional de educação física, que irão avaliar o seu estado de saúde como um todo e indicar o melhor caminho a ser percorrido na jornada de perda de peso¹⁰.
Saiba mais:
Obesidade é uma doença que afeta o corpo inteiro
Referências:
1. Sociedade Brasileira de Reumatologia
(SBR). Osteoartrite (artrose). Disponível em
file:///Users/carlopes5/Downloads/CartilhaSBR-Osteoartrite.pdf. Acesso
em outubro de 2023. 2. World Health Organization (WHO).
Osteoarthritis. Disponível em https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/osteoarthritis#:~:text=Osteoarthritis%20is%20a%20degenerative%20joint,%2C%20hips%2C%20spine%20and%20hands.
Acesso em outubro de 2023. 3. Steinmetz JD, Culbreth GT et al.
Global, regional, and national burden of osteoarthritis, 1990–2020 and
projections to 2050: a systematic analysis for the Global Burden of
Disease Study 2021. The Lancet Rheumatol. 2023
Sep;5(9):E508-E522. 4. Nedunchezhiyan U, Varughese I et al.
Obesity, Inflammation, and Immune System in Osteoarthritis. Front
Immunol. 2022 Jul 4;13:907750. 5. Wang T, He C.
Pro-inflammatory cytokines: The link between obesity and
osteoarthritis. Cytokine Growth Factor Rev. 2018
Dec;44:38-50. 6. Sartori-Cintra AR, Aikawa P et al. Obesidade
versus osteoartrite: muito além da sobrecarga mecânica. Einstein.
2014;12(3):374-9. 7. Sociedade Brasileira de Clínica Médica
(SBCM). Especialistas associam obesidade a um maior risco de artrose.
Disponível em https://www.sbcm.org.br/v2/index.php/not%C3%ADcias/632-sp-1992058854.
Acesso em outubro de 2023. 8. Roman-Blas JA, Castañeda S et al.
Osteoarthritis associated with estrogen deficiency. Arthritis Res
Ther. 2009;11(5):241. 9. Ministério da Saúde. Artrite
reumatoide e artrose (osteoartrite). Disponível em https://bvsms.saude.gov.br/artrite-reumatoide-e-artrose-oesteoartrite/.
Acesso em outubro de 2023. 10. Mendes AA, Ieker ASD et al.
Multidisciplinary programs for obesity treatment in Brazil: A
systematic review. Rev. Nutr. 2016 Nov-Dec; 29(6):867-884.
BR23OB00221 - novembro/2023